Thursday, October 1, 2009

então assim é...

e então assim é que é...

eu não contava entrar nesses meandros

em que emoções tubilhonavegam

em ritmos abstratoincoerentes

levando me as alturas para dai a outras dimensões e de volta

e de volta, e de volta em volta, e de volta

e de volta, e de envolta volta envolta, e de volta


eu não contava encontrar essas paisagens

cujos nomes me fogem por que as desconheço

insistentes e intermitentes como que

evocando uma lei não escrita de que talvez eu as tenha de nomear

ou talvez não

talvez deixa-las em seu estado puro não verbalizado

é tudo o que é necessário

é tudo o que lhes é essencial


as vezes me surgem como imagens

saudosas de um futuro que ainda não vivi


as vezes como breve monomomento

quiçá monomonumento


de um segundo capturado do passado

em qualquer caso, em qualquer tempo

intensas e arrebatadoras


imagens


me acontecem assim

a cada sorriso espontâneo seu

a cada gesto perdido meu

a cada momento preguiçoso seu

a cada toque... despreocupado meu

sem que eu entenda muito bem

sem que eu queira entender


por que?


Os sentimentos preponderam e são esses momentos

em que a plenitude de ser se faz perceber, se revela e se expande

e me entorpece

e então

são esses os momentos em que sou feliz

e são esses sempre...


então é assim

e então é assim que é

esses são os tempos com os quais eu não queria sonhar

esses não são os seres qu'eu queria ver

esses não são os votos qu'eu queria contar

esses são os despojos qu'eu não queria encontrar

esses são os trapos qu'eu não queria me representando diante de nada

diante de coisa alguma

esses são os restos qu'eu não queria ver de forma alguma

esses não são.... nada com qu'eu queira dividir o ar, o fogo, a terra e a agua

ainda que em meio a esses

a vejo, a ouço, a embalo e me revigoro

quando tudo mais se destroça e se desfaz no ar

sem sentido e sem propósito


eu queria outros tempos

em que a eternidade de nossas almas fossem

nossa maior riqueza

a nos prover de uma era a outra

nossa única bagagem

a transportar de um dia ao outro

nossa única herança

a receber de um instante a outro

nosso único legado

a deixar de um olhar a outro



que então fossem assim

e que assim fossem então

vestígios únicos de uma existência plena

registros precisos de uma essência pura

e ai eu não teria o olhar para perder nas distancias

que o desatino desses tempos ora me oferece ora me impõe como precipícios

sem pistas num mapa em qu'eu nem mesmo me detenho

a seguir


não são rotas marcadas

não são caminhos conhecidos

que me levaram ate você

ate tudo que é possível dentro de tao amplo universo


então é assim

e então é assim que é

incertezas e dúvidas

ausências e perdas

inconstâncias e rupturas

dinâmicas adversas dos momentos mínimos

que vemos como perfeitos

parecem preponderar

apenas parecem

pois oceanos de ilusões rodeiam

a essência divina de nossa existência

turvando nossa percepção

afastando nossa atenção

do que realmente devemos nos ater

que se seu nome eu

chamar não soubesse

o vento deveria escutar e aprende-lo

que se seu nome eu

escrever não soubesse

as estrelas deveria contemplar e aprende-lo

que se seu encanto eu

compreender não soubesse

uma praia chamada eternidade deveria percorrer e enfim aprende-lo

que se meu nome você

chamar não soubesse

com uma chuva de verão eu o comporia para ensina-la

que se meu nome você

escrever não soubesse

com nuvens num céu azul cobalto eu o desenharia para ensina-la

que se meu desejo você

compreender não pudesse

a certeza de que após um dia uma noite se segue e um dia se segue e uma noite se segue e...

eu encomendaria para assegura-la

de onde estou


então é assim

e então é assim que é

de um folego só, é que não é

de um momento só, é que não é

de um propósito só, é que não é

de tantas coisas que estão por ai orbitando,

nada se assemelha

nada me envolve

nada que não seja assim

como você

nada que não seja assim

como eu

nada que não seja assim

como coisa alguma


vejo também

muita coisa

coisa alguma também

mas diferente


coisa alguma que nem sempre diz a que veio

a que estado responde

a que leis desobedece

com quem se importa

a quem se manifesta


as vejo

as coisas algumas

as muitas coisas

essas diferentes

ganhando ares essenciais

acumulando uma nobreza anunciada como se fossem verdades

movimentando multidões numa irracional procissão

humilhante e covarde

as coisas algumas

ditando regras e usos e costumes

minimizando a centelha que partilhamos todos de um

fenômeno maior em que nos

completamos e nos reconhecemos

como a intocada face de uma criança

por tanto conhecimento que apenas espera

pacientemente

por nossos primeiros passos em sua direção

então é assim

e então é assim que é